Segunda-feira, 12 de Dezembro de 2011

acordar.

hoje sonhei contigo.

estavas lá fora, na minha rua. trazias um montinho de neve na mão. só para eu a poder atirar e dizer-lhe adeus.

e depois já me podias abraçar. eu já estava solta.

 

quando acordei, tive de ir à janela. só para ter a certeza de que não estavas lá.

pois, estou doida.

 

 

 

 

publicado por mariannecosta às 19:09
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Quarta-feira, 7 de Dezembro de 2011

eu queria brincar com bonecas.

há bem pouco tempo, uma rapariguinha de dez anos disse, em frente a uma plateia, que «queria ter médias muito boas para ir para medicina». os pais, radiantes, não puderam disfarçar o orgulho.

fiquei espantada. fiquei sem palavras, sem reação. eu, que ando no décimo segundo ano, não sei o que quero seguir. e aquela criança já tinha o futuro decidido.

não sei como é possível. é claro que sonhos, todos os têm. «olha, eu quero ser astronauta» , «eu quero ser bailarina!» , «eu quero ser mãe», ou mesmo «vou ser bombeiro!». mas nunca, nunca, nunca em toda a minha vida me deparei com um caso semelhante ao da menina.

como pode um ser daquela idade saber que quer ir para medicina? como pode uma criança ter tempo para pensar nas notas do secundário?

na idade dela, eu nem fazia a mínima ideia de que existiam cursos para as pessoas grandes.

na idade dela, eu queria brincar com bonecas.

ainda quero. 

publicado por mariannecosta às 15:15
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Terça-feira, 29 de Novembro de 2011

eu não quero voltar.

«please don't stand so close to me, i'm having trouble breathing.» - christina perri, distance.

 

há muito que não escrevo. há muito que não tenho razões para escrever. a rotina amarra-me de tal forma que a vontade parece fugir.

no entanto, todos os que me rodeiam têm testemunhado uma grande mudança em mim. o sorriso desapareceu, a esperança partiu com ele e levou todos os momentos de pura e espontânea felicidade.

não me perguntem o porquê. é demasiado óbvio, e as palavras rompem-me a garganta se as pronunciar.

foi há quase um ano. agora é altura de pôr mais um ponto nos ii, e acabar com isto.

por mais que chore, por mais que grite e por mais que te chame, não há volta a dar, e sabemos isso.

 

não voltes, mas não me deixes.

 

e sim, «every teardrop is a waterfall.»

 

 

 

 

publicado por mariannecosta às 18:47
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Quinta-feira, 22 de Setembro de 2011

último dia.

foi um dia triste. o último dia do verão. para muitos, o último dia de felicidade.

todos sentiram aquela névoa do eterno adeus, todos provaram o amargo sabor da derrota face à vida. mas nenhum desistiu do propósito que os unia naquele sítio.

pela primeira vez, souberam o que é a despedida, testemunharam a verdadeira dor e contactaram com o sofrimento.

apesar de o sol brilhar, ninguém o notou. na mente e no coração de todos, chovia.

durante uma hora, o silêncio era a única presença incontestável, e dava as boas-vindas a todo o tipo de choros e lágrimas. permaneciam juntos, embora muito ausentes, e o calor de um era a chama dos outros todos.

chegou então O momento final. formaram um círculo e deram as mãos. naquele instante, o mundo parou. eram só eles, coração com coração, transmitindo um fluxo de força e não deixando que nenhum dos elos daquela corrente se partisse. o sorriso surgiu, muito a medo, devagar; segundos depois, a luz entrou de rompante naquele canto, naqueles ínfimos metros quadrados, e aqueceu cada réstia de tristeza.

quando a hora de partir chegou, uma palavra mudou tudo : obrigada.

 

foi um dia triste, esse último dia do verão. mas foi o dia em que descobrimos o significado da palavra «amizade» .

 

estou contigo.

 

 

 

 

 

 

 

publicado por mariannecosta às 20:45
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Quinta-feira, 21 de Julho de 2011

mariana .

tenho saudades do passado; do tempo em que eu era uma criança nervosa; do tempo em que eu era apanhadinha pelos rapazes loiros e de olhos azuis; do tempo em que o facto de não ser amada era uma catástrofe; do tempo em que era uma colas, uma adolescente com as hormonas aos saltos e que delirava sempre que via o gonçalo, o filipe ou o pedro.

nesses tempos, queixava-me da minha vida, das dores de barriga ou mesmo das bitches que andavam por aí e me faziam a vida negra.

agora, olho para trás e tudo isso me parece um mar de rosas. queria ter tudo de volta, queria as minhas amigas, queria as simples complicações que faziam parte do meu dia-a-dia. agora, sinto que abdiquei de uma parte de mim para ter o que nunca tive, para sentir um pouco da esperança que sempre quis. não sei para onde foi a mariana de 2009. só sei que não volta mais.

 

publicado por mariannecosta às 11:44
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Quinta-feira, 7 de Julho de 2011

oxigénio, sff .

perdi o meu manual de instruções.

era ele que tinha o que eu precisava: um guia de «como actuar em caso de emergência» .

isto é uma emergência. não sei mesmo como respirar. esqueci-me completamente de como o fazer.

bem, terei de ser autodidacta e dedicar-me a isto.

vamos ver se me lembro ...

 

passo 1 - inspira.

[au , doeu] .

passo 2 - deixa que o ar te dilate os pulmões.

[continua a ser doloroso, caraças] .

passo 3 - o diafragma sobe.

[acho que acabei de explodir].

passo 4 - agora tem calma. vais ser oxigenada.

[isto arde].

passo 5 - não retenhas o ar durante muito mais tempo!
[não consigo. não consigo. não consigo.] .

passo 6 - faz os possíveis por o expelires, com calma.

[não quero deixá-lo ir].

passo 7 - finalmente ... vê lá se desimpedes a traqueia .
[agora tenho a garganta em chamas ...] .
passo 8 - repete tudo de novo .

 

 

voltei a esquecer-me.

acho que é difícil respirar, quando tu não estás aqui.

 

 

take a breath and let the rest come easy.

 

 

 

 

publicado por mariannecosta às 14:12
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Sábado, 21 de Maio de 2011

a história .

descia as escadas húmidas com cuidado : a minha falta de equilíbrio não é muito adequada a dias chuvosos .

ele estava meio escondido , metade todo , metade nada . estava à minha espera , pensava eu . a ânsia escapava por cada um dos meus poros , e na minha cabeça ecoavam as vozes das minhas amigas : 'isso é amor , m. , é amor .' nem me dava conta de que ele era o meu destino . afinal , éramos feitos um para o outro , apesar de (ou graças a) todas as coisas que se impuseram à nossa proximidade . era ele , o meu príncipe sem cavalo , o meu herói desengonçado e com medos , o meu protector magro e sem defesas . era ele , a pessoa que mais me irritava neste mundo , a pessoa que me obrigava a agir de uma forma sem sentido . sim , era ele quem eu amava .

regressando à realidade , ainda um pouco embebida nos meus pensamentos , olhei em frente . tentei antever o sorriso , o olhar , o abraço que se seguiriam . não aconteceu . os braços dele envolviam-na .

ela era pequenina , da minha altura . talvez , noutra ocasião , noutra vida , nos tivéssemos ligado de alguma forma . porém , nos olhos de ambas surgiram faíscas , um relâmpago mortífero , um 'ele é meu' convincente e sombrio .

ele apenas baixou os olhos . eu não sabia o que fazer . estava entalada , agonizada , como se tivesse sido obrigada a escolher entre a minha vida e a morte . queria ter tido uma reacção diferente ; o quanto desejava ter mantido a mesma postura de sempre , quando ele me magoava vezes sem conta , e eu apenas esperava o momento em que ele voltasse . desta vez era diferente , e no meu coração bélico e tempestuoso não cabia mais a inércia nem o perdão .

corri , como nunca antes o tinha feito . uma imensa cortina de dor tomou-me nos braços , a minha face latejava , como se ele me tivesse esbofeteado . as minhas pernas não obedeciam ao meu cérebro ; apenas corriam , fugiam de um fim mais tremendo (como se ainda tivessem uma hipótese de sobreviver com dignidade) .

tropecei , caí no chão , e talvez tenha caído em mim . chorei , dei voltas e voltas , parada no tempo .

 

foi assim que acabou uma história que só agora começou .

 

 

 

a coragem não é a ausência de medo, mas a certeza de que há algo mais importante do que o medo.

nunca fui corajosa .

publicado por mariannecosta às 15:43
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Terça-feira, 10 de Maio de 2011

vénia sem obrigado.

depois do acorde final, depois de uma vénia, depois da ovação e depois das rosas, a artista regressa aos bastidores.

senta-se no camarim, desaperta as sabrinas cuidadosamente, despe o tutu e o maillot, tira os collants e é de novo uma normal rapariga.

por vezes, ainda há quem a reconheça, quem saiba que foi ela a protagonista de um dos momentos mais belos das suas vidas.

porém, há quem passe por ela e nem repare na magia que a rodeia, que não lhe atribua qualquer importância.

mas a bailarina sente-se feliz, concretizada.

a mãe dela deve ser como a minha. muito provavelmente, ter-lhe-á dito: 'faz as coisas por amor , e não por fama.'

 

 

mas às vezes precisamos que nos dêem o devido valor, que nos agradeçam, em vez do contrário .

 

afirma-te e mostra quem és. não esperes que os outros descubram. - este conselho é original, é meu, e aprendi por experiência própria.

 

publicado por mariannecosta às 16:49
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Sábado, 23 de Abril de 2011

oração .

desliguei a música .

sentei-me no chão do chuveiro .

deixei a água correr .

fechei os olhos .

 

comecei por dizer olá .

perguntei-Lhe como estava , se as coisas andavam complicadas lá em cima .

depois , agradeci-Lhe por muitas coisas , pedi-Lhe outras (não muitas , porque odeio abusar) .

cantei-Lhe uma música , aquela da miley cyrus , 'when i look at you' .

penso que Ele gostou . afinal , é verdade que é para Ele que olho quando é tudo escuro e confuso .

despedi-me , com um trago de saudade na alma . gosto muito d'Ele .

 

à noite , não queria ter ido à igreja . culpo permanentemente a minha consciência por ser tão ... consciente .

estava a chover tanto ! seria tão bom ter ficado em casa .

mas conformei-me .

lá , fiz silêncio .

 

ouvi tantos batimentos cardíacos .

contei-os ; mas eram tão numerosos , e tão obstinadamente certos , que me perdi .

 

chegou a Hora . caminhei . cheguei à beira d'Ele . olhei-O nos olhos , procurei alguma coisa , um sinal . mas Ele estava tão sereno , tão poderoso , tão Rei , que apenas baixei a cabeça , num acto de puro respeito e admiração .

 

fui-me embora .

 

hoje falei-Lhe de novo , tal como ontem , numa oração devota , profunda e sincera .

 

é a primeira vez que escrevo sobre isto . talvez a última .

 

why do i do that ?

 

 

 

 

publicado por mariannecosta às 12:57
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Terça-feira, 19 de Abril de 2011

life never ends !

pode já não dar mais para lutar . pode até ser desnecessário tentar recompor o que nos pertencia . mas nunca é o fim .

continuar , mesmo que não valha a pena , muda o sentido das coisas . torna-nos mais únicos , mais reais , mais nós .  basta descobrirmos o brilho do nosso sorriso , contarmos as cores que existem na íris dos nossos olhos , basta atentarmos numa pestana fora do sítio , para sabermos que a vida nunca acaba .

 

e é assim que ocupo o meu tempo . sou inutilmente persistente , não o posso negar . mas só eu sei a felicidade que sinto quando reparo na mudança de tom na tua voz , quando , inevitavelmente , decoro as inúmeras tonalidades do teu cabelo ou mesmo quando constato a pureza de uma lágrima que rasteja na minha face , por causa da distância .

 

seria mais fácil se te tivesse num estalar de dedos . mas as coisas sabem melhor quando somos nós a fazê-las .

 

depois , quando estás assim tão perto , não sei o que fazer . a felicidade eleva-se ao expoente máximo e não posso refutar a perfeição da vida .

 

o meu diário é muito antigo , e o tempo sente-se no folhear das páginas dele . mas tem uma sabedoria incomparável . na capa , lê-se : the most rewarding end in in life is to know that life never ends .

 

inteligente , não ?

 

 

publicado por mariannecosta às 18:34
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